Entrevista

TUM Drops com Marcelo Fruet

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O Festival de Música de Santa Catarina apresenta Marcelo Fruet no TUM Drops

O Tum Sound Festival, festival de música de Santa Catarina, tem a honra de apresentar um de seus palestrantes, na edição 2018, com essa entrevista. Tratando de um tema super atual e importante no mercado musical.

Marcelo Fruet

É produtor musical. Já produziu bandas como Chimarruts, Apanhador Só, Dingo Bells e Pública. No ano 2000 fundou o Estúdio-12 experiência sonora onde oferece os serviços de produção musical, representação de artistas e projetos educacionais para profissionais da indústria da música.

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Marcelo Fruet no TUM Sound Festival 2017

1) Na sua opinião, qual é o maior desafio para que uma banda ou artista possam criar uma base de fãs e consolidar seus nomes no mercado musical? E quais ferramentas você acha que são necessárias para atingir este resultado?

Não acredito que um desafio que seja o maior. Tudo está conectado e interage o tempo todo: o conteúdo artístico, o talento, o comportamento, o posicionamento, a qualidade do conteúdo produzido (áudio e vídeo), o custo mínimo para estar na estrada, o planejamento de carreira, a estratégia de divulgação, o plano de negócios, etc. O balanceamento entre todos os aspectos precisa ser coerente com a velocidade pretendida em alcançar os objetivos ou pode parecer que a coisa não anda, mesmo que ela esteja andando imperceptivelmente.

Acho que tentar enxergar claramente o razão pelo qual você quer fazer isso pode ser um ótimo começo. Por exemplo: “viver de música”, “ficar famoso” ou simplesmente “dar vazão à pulsão artística” são coisas completamente diferentes e vão guiar comportamentos diversos. Na primeira o artista se submete a mudanças medianas dos seus desejos artísticos para estabelecer um ganho mínimo que lhe permita viver, enquanto na segunda o mesmo se coloca totalmente à disposição do mercado para fazer o que lhe dê maior projeção. Nesse caso, o negócio dele é guiado por uma lógica de sucesso mercadológico acima da sua liberdade artística. Já na terceira opção é o oposto: o mercado é negligenciado em função da liberdade de expressão pessoal. Claro que isso vai exigir um outro plano paralelo de sobrevivência, mas esse cara pode sim ser feliz e ter sucesso dentro do universo pretendido, assim como os outros.

Por fim, acho que a principal ferramenta é ter uma boa equipe. Saber no que você é bom e suas limitações (o que pode ou não assumir sem prejudicar o andamento das coisas ou sua vida pessoal) e aceitar dividir outras tarefas, seja com membros da banda ou profissionais terceirizados, aquele que funcionar melhor dentro dos limitadores materiais (tempo, talento e dinheiro). Não acho que um artista virar especialista em Facebook por exemplo lhe garanta uma carreira… é muito mais importante ter uma obra relevante e impactante antes de querer divulgar isso.

2) Ao produzir uma banda ou artista solo, você também oferece algum tipo de serviço de consultoria que aponte estratégias sobre quais seriam as melhores formas da banda/artista se posicionar no mercado musical?

Quando eu produzo o disco de um artista, meu foco principal é a obra: a coerência de cada canção, a estética pretendida, ajudar a encontrar o que é autêntico, único, que possa delinear sua identidade e enfatizar sua personalidade e minimizar as referências óbvias que transparecem. Isso passando pela avaliação e aperfeiçoamento das etapas de canção, arranjos, performances, sonoridade, até efeitos e coisas mais sutis. Nesse campo, ofereço consultoria para quem não vai produzir pessoalmente comigo ou vai decidir depois.

Não ofereço nenhuma forma remunerada de consultoria nas etapas posteriores à finalização da música gravada ou concepção do show, até porque não sou um profissional de produção executiva, estratégia, planejamento ou similar. Apesar de ser formado em comunicação e ter participado de diversas produções e planejamentos. Inevitavelmente, durante o processo, acabo trocando muita ideia com os as artistas e muitas vezes ajudo a guiar o caminho que ele deve seguir: que profissionais serão necessários, quem são os nomes mais adequados, o tipo de custo que se tem, exemplos de estratégias adotadas por bandas de target similar que eu conheço etc. Enfim, dependendo do artista é ele quem me ensina, mas para os pouco experientes tento ajudar o máximo possível, pois é do meu interesse que o trabalho que estamos realizando saia pra rua e fique conhecido, agregando valor à carreira de todos os envolvidos. É uma pena que, muitas vezes, o ego atrapalhe e as pessoas ignorem as dicas de quem tem mais experiência. O resultado é que, muitas vezes, o trabalho não sai de um círculo mais pessoal ou rende muito aquém do que o merecido por sua qualidade artística. De qualquer forma, estar bem feito garante que um dia qualquer, num ano qualquer, aconteça alguma coisa. Vide o caso do Di Melo.

3) Qual a importância do músico se autogerir e buscar conhecimentos de áreas como empreendedorismo, marketing e music business em geral? Você sente que o músico brasileiro vem demonstrando um maior interesse por estes assuntos?

Eu sinto que o músico brasileiro vem se aproximando cada vez mais da autogestão e da importância do conhecimento de negócios e empreendedorismo para sua carreira. Isso começou na década de 2000 mas se acentuou muito nos últimos 5 anos. Não é nem uma questão de querer ou gostar, mas uma necessidade mesmo. Esse pensamento faz parte de um novo formato, sem gravadoras e vários departamentos dedicados, que está se revelando aos poucos.

Acho muito importante o músico/ artista de hoje se informar e obter conhecimentos básicos sobre todos esses temas citados na pergunta. Não acho que ele necessariamente precise saber executar isso com excelência, mas faz muita diferença entender no que consiste cada etapa, o que elas envolvem, tanto em termos de eficiência para carreira do artista quanto à trabalheira que se tem para executar cada etapa. Isso ajuda o artista a fazer as pazes com a porcentagem exigida pelo produtor executivo, as tarifas dos anúncios, o cachê do designer, do marketing etc. O fato é que é muita coisa mesmo e é um caminho difícil. A gente faz porque ama e não consegue parar hehehe. Eu brinco que investir na música como artista é mais arriscado do que investir na bolsa. Você pode gastar tudo e não voltar nada. De dinheiro. Por isso, acredito que a satisfação pessoal na realização do trabalho é muito importante. Afinal, a bolsa não te dá arte, não te dá vida e não contamina as outras pessoas com uma parte sua né??

4) Quais conselhos você daria para quem deseja trabalhar com produção musical?

Essa é difícil. Eu entrei nessa sem querer e acabei adorando. Acho que o conselho maior que posso dar é entender que a automação veio com tudo. E não estou falando sobre automatizar faders ou parâmetros de plug-ins. Tô falando de tudo mesmo. Cada vez mais os processos de criação, produção e finalização contam com ferramentas mais simples de operar que trazem resultados de qualidade de som excelente. A tendência disso é globalizar os estilos dentro de padrões pré-concebidos. Fuja disso. Torne-se único. Valorize os humanos, a interferência humana e o que é diferente. Essas características serão as únicas que justificarão um produtor no futuro e as únicas que vão garantir que um trabalho se sobressaia, salte aos olhos (ou ouvidos), em meio de tantos outros padronizados e parecidos. Não entre tanto na onda do que estão tentando vender pra você. A ideia, a música, o conceito, o arranjo, a performance , o diferencial, uma visão de outro profissional bacana, entre outras coisas, são muito mais importantes do que os equipamentos.

Lembrando que o Marcelo Fruet estará no Tum Sound Festival 2018 com sua palestra “Produção Musical: aceleração de conceito, qualidade e autenticidade na música popular”.

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